Opinião – Cafona é gente preconceituosa!

“Agora, morreu um dos seus ídolos, rapaz novo e já bastante jeca, berrador do qual eu e ninguém com amor aos tímpanos jamais ouvimos falar (…)” diz o Zupo no artigo publicado no Jornal Correio de Araxá no último sábado, 4.

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“Se tem uma coisa que demonstra a cretinice cultural do brasileiro “moderno”, é a música sertaneja universitária”. Essa é a primeira frase da coluna Justiça, assinada pelo Juiz de Direito e membro da Academia Araxaense de Letras, Renato Zouain Zupo, no Jornal Correio de Araxá. Com o título de ‘Cafonas’, o artigo opinativo, que foi publicado na edição 3.561, no último sábado, 4, é, no mínimo, um desrespeito a diversidade cultural brasileira. A postura do juiz não condiz com a conduta que a sociedade espera de quem ocupa um cargo tão importante e que tem dentre outras funções buscar a pacificação social. A coluna é a recheada de termos pejorativos e preconceituosos.

De acordo com o juiz,  a antiga música caipira até que era tragável, desde que ouvida de porre na beira de um fogão de lenha… Mas, o sertanejo universitário é uma perversão ridícula das antigas músicas de cabaré e de zona, berrada ao invés de sussurrada, como eram os bons boleros de antigamente. E somente são gostáveis por jovens imberbes e mulheres mal amadas – novas ou velhas – que usam aqueles guinchos de gosto duvidosos como trilha sonora de eventos interioranos, exposições de gados, festas juninas eletrônicas e outras porcarias (…).  “Quando os eventos eram realmente originais, dava gosto conviver com as espetacularidades do bucólico cotidiano rural (…). “Em termos de cafonice sertaneja, os goianos dão o tom, são mestres da arte de caipirice eletrônica. Agora, morreu um dos seus ídolos, rapaz novo e já bastante jeca, berrador do qual eu e ninguém com amor aos tímpanos jamais ouvimos falar (…)”, disse Zupo , dentre os diversos trechos pouco tragáveis do seu artigo.

A liberdade de expressão é direito de todo cidadão. É dever do jornalista respeitar e lutar por ela. Mas, não podemos confundir liberdade de expressão com desrespeito, calúnia, difamação ou injúria. A diversidade cultural é uma característica do nosso país. Cada pessoa tem o direito de escolher e desenvolver livremente seus sistemas políticos, sociais, econômicos e culturais. Seja ela amante de sertanejo universitário, gospel, mpb, bolero, rock, pagode, samba, dentre outros gêneros musicais. Quem não respeita o gosto musical, a religião ou orientação sexual de uma pessoa, por exemplo, está preparado para preservar a dignidade humana, defender as liberdades públicas e buscar a pacificação social? O principio básico da ética é o respeito às pessoas e, pelo visto e lido, está faltando.

Essa não é a primeira vez que as declarações do juiz Renato Zupo geram polêmicas. Em setembro de 2013, o juiz publicou um artigo no site Jornal Araxá onde defendeu, ou melhor, achou justo o vereador Farley (PT) usar do seu cargo para furar fila no Pronto Atendimento Municipal (PAM) e ser atendido antes das pessoas que aguardavam. “Quando um banco ou um hospital recebe um político, um promotor ou um juiz está recepcionando a sociedade como um todo, e deve dar um tratamento institucional adequado. Deixemos de hipocrisia, gente! Alguém já viu a Presidenta Dilma esperando para ser atendida em fila de banco?”, disse o juiz na época.

O respeito às pessoas e suas escolhas, é principio básico da ética e da boa convivência. Cada um tem o direito de opinar, mas com responsabilidade, sem preconceitos ou termos pejorativos. Na sociedade moderna, cafona é o preconceito e a falta de ética, com agravante quando essa postura vem de pessoas públicas e que ocupam cargos importantes do nosso judiciário. Gente preconceituosa é… como diria… “o supra sumo da cafonice “! Viva a Liberdade de Expressão, mas antes, Viva o Respeito as Pessoas e a nossa Diversidade Cultural!!!!

Autor: Saulo Aguiar

É jornalista, radialista e cooperativista. Formado em Comunicação Social, ganhou destaque com colunas opinativas e reportagens investigativas. Possui cursos na área de assessoria de comunicação, cooperativismo e gestão de projetos.

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5 Comentários

  1. É lamentável ler uma coisas dessas em pleno 2015. Ainda mais sendo de um juiz.

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  2. Desde o início quando o Zeca Camargo foi achincalhado por suas declarações que eu estou acompanhando essa história… O Zeca estava certo, e o Zupo também… Hipocrisia é achar belo esta porcaria de música que causa um mal danado a população… “ISSO MESMO” CAUSA MAL A POPULAÇÃO… Fomentar traição, uso de drogas, excesso de consumo de bebida alcoólica, sexo inconsequente. O que existe de benéfico nisso??? Isso tudo é uma porcaria e deveria ser tratado como tal… A QUESTÃO DO CANTOR QUE MORREU!!! Realmente ele só era conhecido pelas pessoas desse meio, pelas pessoas que convivem com isso, ninguém de bom gosto sabia quem era ele até a sua morte… ATÉ JÁ PODERIAM TER OUVIDO AQUELA PORCARIA DE “BARA BARA BARE, BERE BERE BERE… Mas dai a saber quem cantava aquela bosta, a distância é muito grande… Hoje em dia no Brasil todo mundo quer ser politicamente correto e quando encontram quem diverge de sua opinião se sentem no direito de protestar… Eu acho essa música uma porcaria e tenho esse direito… DIZER AOS 4 VENTOS QUE ACHO ISSO UMA BOSTA!!!

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    • Em resposta a Vinicius Duprat – Você é tão preconceituoso quanto o citado juiz na matéria. E digo mais, você tem mesmo direito de falar, mas é um imoral, inescrupuloso.

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  3. Vinicius Duprat, você pode sair dizendo aos quatros cantos sobre o que vc pensa, mais é certeza que nao dá ibope.
    Quem é vc perto de qualquer musicalidade, ritmo, cultura ???/???/

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  4. Opinião é opinião, agora dizer que quem ouve e curte esse gênero musical é sem cultura ou não tem gosto musical é uma completa falta de ética e respeito com as pessoas, o que um Juiz membro da Academia Araxaense de Letras com certeza deveria ter! As pessoas podem ter a opinião que quiserem, mas criticar outras pessoas pela música que escutam, roupas que vestem, sexualidade, cor, é uma completa falta de respeito! Isso sim que é falta de cultura, uma minoria que se julga superior pelo tipo de música que escuta!

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